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Um ar de sua Graça

Os Natais da minha vida

Gosto do Natal. Embora esta quadra desperte em mim sentimentos contraditórios.


Incomoda-me o consumismo desenfreado, irrita-me a corrida desvairada de loja para loja. Choca-me o culto do objecto.


Gosto do Natal na sua verdadeira essência, pela celebração do nascimento de Jesus, pelo que simboliza em termos de partilha e de dádiva, de união da família.


Recordo com carinho os doces Natais da minha infância e adolescência. Vivendo longe de CASA, entendendo-se, por CASA a nossa terra natal e a casa dos meus avós, o Natal era o momento dos encontros familiares.
Quando vivíamos no Alentejo estávamos a cerca de 500 Km de distância. E, naquele tempo, 500 Km eram bem mais compridos de que hoje.


As estradas eram péssimas, estreitas, esburacadas e cheias de curvas. O nosso carro era velho, a cair de podre, comprado para aí em décima segunda mão. Numa única viagem tivemos três furos e demorámos 16 horas.


Mas chegávamos de coração cheio. E que alegria rever os meus avós, tios e primos, os tios que lá viviam e os que também, tal como nós, se deslocavam à terra para em conjunto celebrarmos a festa da família.   


Recordo as consoadas na cozinha do meu tio Zeca, junto da grande lareira à volta da qual todos nos reuníamos. Esqueciam-se as tristezas, as preocupações. Só havia alegria e boa disposição, celebrando o prazer de estarmos juntos. E que conversas saborosas adoçadas pelos velhozes que a minha tia ia fritando e que comíamos ainda quentinhos.


Depois, noite dentro, chegava o Menino Jesus. Descia pela chaminé e deixava os presentes nos sapatos que colocávamos na lareira antes de irmos para a cama.
A noite era mal dormida. Ansiavamos pelo clarear do dia para corrermos para a cozinha e depararmos com a surpresa dos presentes. Alegria no estado puro.
Tentei transmitir aos meus filhos a magia dos Natais que vivi. Mas não consegui competir com o markting televisivo nem com os coleguinhas de infantário que recebiam presentes oferecidos pelo Pai Natal colocados junto da árvore. De Menino Jesus nem rasto…


 Quando tentava que deixassem os sapatos junto do fogão, olhavam-me de soslaio,  argumentando com todo o pragmatismo que não havia Pai Natal que descesse pelo exaustor… E dei-me por vencida…  


Para mim, mais do que a árvore, são os presépios que melhor simbolizam o Natal. Representam a Natividade e a união da família.


Há poucos anos comecei a coleccioná-los. Presentemente são 101. Uns comprados por mim, outros oferecidos. Os meus filhos têm contribuído bastante para o engrossar deste número. Tenho-os nos mais diversos materiais, uns de prata outros de lata, de madeira, barro, pano ou serrapilheira. De plasticina, lã, cortiça ou com traços de tinta da China. Uns mais tradicionais, outros mais originais. Os nacionais e os internacionais.


Decorar a casa com eles leva o seu tempo. Muito tempo. Mas é grande o prazer ao ver a casa preparada para as festividades que se aproximam.

 

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