Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Um ar de sua Graça

Umas almofadas muito, muito velhinhas

IMG_5207.jpg

 

Muito recentemente a minha mãe fez 91 anos. Há poucos meses deixou de fazer crochet. Os olhos atraiçoam-na e os dias tornaram-se mais monótonos. Mas continua interessada por aquilo que vou fazendo, tem curiosidade em saber e em aprender e, sobretudo, esclarece as minhas dúvidas.

 

Também já não cozinha há bastante tempo. Custa-lhe estar de pé. Mas interessa-se por programas de culinária. Quando me apanha lá em casa informa-me logo que acabou de ver uma receita mesmo boa para eu fazer. E explica-me tudo tim tim por tim tim.


Dias depois pergunta-me “ Então a receita, já a experimentaste? Gostaram?


Mas qual receita??? Não faço a menor ideia!


A cabecinha da minha mãe funciona a 100% e irrita-se comigo porque sou uma cabeça no ar. E dá-me reprimendas como quando eu tinha 10 anos. E eu, menina obediente e temerosa, ouço, acato e… tenho que lhe dar razão. E sou eu que lhe peço para me lembrar das coisas que tenho para fazer…


Tudo isto para recordar o que por aqui já deixei escrito. A minha mãe é perfeita!


Já aqui fui partilhando no blog alguns dos seus trabalhos mais simples. Os mais complexos, trabalhosos e belíssimos tais como lençóis, toalhas, colchas ainda aguardam nas gavetas perfumadas o dia em que serão fotografados pelo “meu” fotógrafo oficial.


Mas estas habilidades nasceram com ela. Recorde-se o primeiro post deste blog.


Como os mais antigos devem saber e os mais jovens se não sabiam ficam agora informados,  há muitas, muitas décadas, os lavores faziam parte dos curricula do ensino primário. Para as meninas, bem entendido. Nos anos 30 era inconcebível um rapaz de agulha e linha na mão e dedal no dedo!   Mesmo agora sabe Deus, mas adiante. Isso daria para outra conversa.


Na escola primária a minha mãe fez inúmeros trabalhos e alguns deles resistiram à passagem do tempo. Sobreviveram. Alias, na casa dos meus avós e dos meus pais tudo era muito estimado, pois tudo custou a ganhar, tudo foi obtido com trabalho e sacrifício. E foi esse o princípio em que fui criada. Talvez por essa razão aprecie tanto o que é antigo. Carrega memórias e história. 

   
E é assim que cerca de 80 anos depois de terem sido feitas, estas almofadas bordadas pela minha mãe na escola primária, ainda continuam a fazer vista.


Ora digam-me lá, alguma menina de dez anos, nos dias de hoje bordaria assim?  


E como poderia ocupar o tempo uma criança dos anos trinta, sem televisão sem rádio, sem telemóvel, sem internet? Lia… bordava…

 

IMG_5208.jpg

IMG_5209.jpg

 

11 comentários

Comentar post