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Um ar de sua Graça

Os panos da loiça da minha avó

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Já por aqui deixei bem claro que gosto de rendas, rendinhas, bordados.

 

Peças elaboradas ou muito simples. Todas têm o seu encanto, em todas elas encontro beleza.

 

Gosto de espalhar essas rendas e bordados pela casa. É kitch? Talvez. Mas gosto de me rodear de objectos e peças feitos à mão, feitos com carinho, feitos especificamente para este ou para aquele espaço. Feitos por mim ou por familiares. E que tornam a casa um local especial e único. E a transformam num lar.

 

A minha cozinha não foge à regra.

 

Panos da loiça sem uma rendinha ou sem um pequeno bordado, não são panos da loiça que valham a pena.

 

Todos os que tenho a uso ou ainda por usar têm um picot feito pelas mãos de fada da minha mãe.

 

E há os da minha avó. Esses são especiais. 

 

A minha avó Clementina fê-los quando eu estava para casar. Mulher prática e despachada, oferecia-me o que era utilitário, sem quaisquer sofisticações.

 

O tecido tinha-o lá por casa. Cortou-o. Fez-lhe as bainhas na sua máquina Singer. Em cada pano desenhou um motivo e bordou-o. Por fim fez o picot. E fiquei com meia dúzia de panos da loiça, todos eles diferentes. Todos originais.  

 

E eu que sou rapariga para usar tudo, que não gosto de baús cheios de inutilidades, nunca consegui pôr estes a uso.

 

Tentei várias vezes mas não sou mesmo capaz.

 

Cada um que usasse e que se viesse a estragar era como um pouco da minha avó que se perdesse.

 

Assim, gosto de, por vezes, abrir a gaveta e tirá-los de lá. Enquanto os contemplo é como se a minha avó estivesse ali ao pé de mim.

 

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