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Um ar de sua Graça

Histórias de velhas máquinas de costura

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Gosto de objectos antigos. De velharias. De simples peças do quotidiano que marcam uma época, que contam histórias, que transportam memórias.


Amo, sobretudo os “meus” objectos. Aqueles que na minha família, de geração em geração, chegaram até mim, me ajudam a perceber de onde vim e quem sou. Objectos que contextualizam a minha maneira de estar na vida.


Têm valor monetário? Não, mas que importa isso?


Para mim estão carregados de um valor simbólico e afectivo muito mais valioso de que qualquer valor económico. Destes objectos carregados de significado há um que aprecio particularmente. A máquina de costura da minha avó. A máquina da minha avó está ainda em perfeito estado de conservação e ainda cose na perfeição.


Lembro-me perfeitamente da minha avó sentada junto dela a fazer as costuras necessárias para o dia-a-dia. Panos da loiça, guardanapos, aos quais ela acrescentava sempre um toque pessoal fazendo um pequeno bordado e um picô.


Recordo também com saudade a menina Quitas, costureira que vinha a casa das clientes e me costurava vestidos, pijamas, bibes.


Embora hoje já ninguém utilize a máquina da minha avó, espero que ela se mantenha assim, tal e qual está, por muitos e bons anos, como peça decorativa.


Mas havia outra. A da minha sogra. Esta, no entanto, acusava a passagem do tempo. Pés enferrujados, tampo muito danificado, cabeça salpicada de manchas. Já nem cosia. Foi parar à garagem à espera de melhores dias e de alguma inspiração.


E esse dia chegou.


A minha filha e eu arregaçámos as mangas. Retiramos-lhe a cabeça e levámos a máquina a um carpinteiro que retirou o tampo velho e fez um novo, maior, com gaveta ao meio. Feito isto, carregámo-la para casa e deitámos mão à obra. Retirámos a ferrugem, lavámos tudo muito bem lavado e depois passámos à fase da pintura.


Que prazer ver a nossa peça a ser transformada, a ficar como a idealizámos! Deu trabalho, muito trabalho, por vezes colocando-nos em posições acrobáticas para pintar os sítios mais inacessíveis.


Pusemos um puxador colorido na gaveta.


E a velha máquina de costura da minha sogra transformou-se numa secretária.


É agora utilizada pela minha filha que se senta na cadeira que pertenceu ao quarto de solteiro do pai e que também foi pintada por nós.


Tudo em família e da família!

 

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